quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meu Mundo...


Ontem gastei todo meu dinheiro comprando um terreno em marte. Eis a foto cedida pela NASA do meu pedaço de felicidade. Paguei caro para ter largura, sem gente, sem bicho, sem planta, sem carro, sem computador. Eu e a imaginação poética vamos morar no vazio do infinito. Pretendo não manter meus contatos com os tolos nem com os que habitam a minha mente em memoria de estupido convivio do passado.

(As melhores coisas do Mundo)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Retrovisor

Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra
E na verdade nada muda

O menino que me pediu R$0,10
É um homem de idade no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vende-os por açúcar, prendas de quermece

A placa do carro da frente
Se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso
E quando o faço nem noto

Outras flores e carros surgem no meu retrovisor
Retrovisor é passado, é de vem em quando do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde, próximo, seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu

Retrovisor nos mostra o que ficou
O que partiu, o que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi
Calçadas e avenidas
Deixa explícito que se for pra frente
Coisas ficarão pra trás
A gente só nunca sabe que coisas são essas...


Fernando Anitelli